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26 de outubro de 2011

Wado - Samba 808 (2011)



Em “Samba 808″, os sambas, funks e as chapações ensolaradas da tríade “Manifesto da Arte Periférica”, “Cinema Auditivo” e “A Farsa do Samba Nublado”, sempre enfeitados por efeitos eletrônicos e camadas de sintetizadores, encontram as batidas terceiro mundistas do “Terceiro Mundo Festivo” e a diáspora negra cantada em “Atlântico Negro”, quando Wado inverteu a ordem dos fatores e a programação ganhou destaque.  


Equilibrando-se entre essas duas variações – eletrônica ao fundo ou a frente – “Samba 808″ encontra, desde o título, a mistura exata. É um disco catalisador de ideias musicais espalhadas pelos outros trabalhos. Aqui, como de costume, as referências são absorvidas, filtradas e devolvidas de maneira sutil, onde as timbragens são mais importantes do que emular batidas.

Texto de Wado  no Scream & Yell
Wado - Samba 808 (2011)
1 -Si Próprio - feat. Zeca Baleiro
2- Esqueleto - feat. Curumin
3- Surdos de escola de Samba feat. Chico Cesar
4- Com a ponta dos desdos - feat. Marcelo Camelo & Mallu Magalhães
5- Portas são para conter ou deixar passar - feat. Fernando Anitelli
6- Recompensa
7- Não Para
8- Vai ver
9- Jornada - feat. Fábio Góes
10- Beira Mar - feat. André Abujamra & Alvinho Lancelloti




3 de outubro de 2011

Mariana Aydar - Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo ( 2011)

O terceiro e ótimo álbum de Mariana Aydar, que está sendo lançado agora, é afromântrico. Entre a Salvador africana de Letieres Leite e Tiganá, canto pra natureza com Emicida, forró e carimbó de radinho entre Amelinha e Edson Duarte, com a guitarra de Gui Held e a grande beleza de Dominguinhos, encontra um resultado muito próprio, universo pop pessoal e passional. 


Guiada pela intuição, as vontades essenciais para seu terceiro disco eram várias, que surgiam e se somavam em realizações: gravar ao vivo, buscar origens e ao mesmo tempo olhar pra frente, aprofundar no lado rítmico afrobrasileiro, trazer pra perto uma certa tradição nordestina sem clichês, montar a melhor banda do mundo. O resultado,Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo, é o que pode ser chama se deu álbum mais pessoal, amplo de ideias e bem realizado em sons.

Os pontos de apoio do disco – abrindo, fechando, no centro, pulsando – são as composições de Mariana, que despertaram sua busca e mostraram sua visão, unindo canções diferentes mas iguais, encontrando o diálogo entre Salvador e África, psicodelia e pop, revelando canções novas mesmo se antigas, um tanto de compositora e um tanto de intérprete, juntas. De Zé Ramalho a Thalma de Freitas, de fado a vanguarda paulistana, de Caetano em inglês às próprias composições misteriosas, seguindo o Cavaleiro e de pé no chão.

No disco Aydar se cerca de ótimos nomes, dentre eles a produção ficou sob a responsabilidade de Letieres Leite, maestro, compositor e arranjador da muito especial Orkestra Rumpilezz, brilhante jazz afrobaiano de atabaques e sopros, ao lado do parceiro de Mariana desde seu primeiro disco, o sensível e incansável baterista e multi-instrumentista Duani. 



Mariana Aydar - Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo ( 2011)

1. A saga do Cavaleiro
2. Solitude
3. Não foi em vão
4. Passionais
5. Vai vadiar
6. Nine out of ten
7. Floresta
8. Galope rasante
9. Porto
10. Preciso do teu sorriso
11. O homem da perna de pau
12. Cavaleiro selvagem
13. Vinheta da alegria



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2 de outubro de 2011

Dj Tudo e sua gente de todo lugar - Nos Quintais do Mundo (2010)



Esse é pra dançar! No meio de tanta produção alternativa, experimental, cult ou intelectualizada demais às vezes o que falta é uma boa dose de música regional, simplicidade e aquele som característico que só a música brasileira tem. Manejando com total experiência os tradicionalismos nacionais com toques quase imperceptíveis de música eletrônica Alfredo Bello, vulgo DJ Tudo vai atrás justamente desse som rítmico que só flui por essas terras. O resultado se encontra em Nos Quintais do Mundo (2010) em que as raízes brasileiras é que ditam o tom. 

O novo trabalho se fecha dentro de registros sonoros que transitam pelo maracatu, carimbó, samba, música indígena além de um sem número de outros sons provenientes das mais diversas regiões do país.

O álbum flui em uma linguagem tão orgânica que é possível imaginar a banda na sua frente – nesse caso “Sua Gente de Todo Lugar”, como é denominado o grupo que acompanha o DJ em suas apresentações ao vivo – executando os mais variados instrumentos. Além do mais, “Nos quintais do Mundo" foi produzido no Brasil, Europa e África, e caracteriza um verdadeiro manifesto multiculturalista. Vale a pena conferir.

Fontes: miojoindie e DNA

Tracklist:
1- Baque Forte 
2 - Sou Massapé (My Community is Humanity) 
3 - Gaita Mestra 
4 - Malandrinho, O Maxixe 
5 - Baião Antigo (O Canto da Sereia) 
6 - Afro Jam 
7 - A Barquinha de Noé 
8 - Vamos ver Santa Efigênia 
9 - Gaita Mestra (Remix Brasilêro) 
10 - Quero Bater no Pandeiro


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28 de setembro de 2011

Peter King - Shango (1974)


"Shango" é o mais notório LP do compositor e multi-instrumentista nigeriano Peter King, e também o único álbum comercialmente disponível em tempos de "cultura acessível". Gravado originalmente em 1974, e relançado em 2002 pela gravadora Afrostrut, o disco apresenta toda a virtuose de King, cuja formação musical se deu na Europa e nos Estados Unidos. 

O resultado é uma explosão de estilos e ritmos africanos, funk a la James Brown, e soul-jazz da melhor qualidade. Se Peter King não tem a notoriedade internacional de Fela Kuti ou Tony Allen, sua credibilidade na Nigéria e entre os afro-especialistas é indiscutível. Certamente um dos petardos mais coesos do gênero afrobeat / afro-funk. 

Coisa finíssima!


Peter King - Shango

1. Shango
2. Prisioner of Law
3. Mr Lonely Wolf
4. Freedom Dance
5. Go Go's Feist
6. Mistery Tour
7. Now I'm A Man
8. Watusi

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26 de setembro de 2011

Pedro Santos - Krishnanda ( 1968)

Dizem por ai que um blog de música que se preze tem que ter Krishnanda nos arquivos.
Então meus caros, problema resolvido.


Pedro Santos, alcunha de Pedro Sorongo, é um daqueles personagens místicos da boa música tupiniquim. Excepcional percussionista e  compositor, Pedro durante as décadas de 60 e 70 acompanhou uma galerinha do naipe de Elis Regina, Sebastião Tapajós, Baden Powell (que compôs em sua homenagem "Tributo ao Amigo Pedro Santos"), Elza Soares, Jacob do Bandolim, Milton Nascimento, Clara Nunes...só pra citar alguns.  

O músico também criou diversos instrumentos de percussão (inclusive a Tamba, que deu nome ao grupo "Tamba Trio", sendo tocada por Hélcio Milito).


Krishnanda, o primeiro e único álbum de Santos, é uma mistura de samba, jazz, música africana e oriental, com sons vindos de novos instrumentos e barulhos de natureza, como água e cantos de animais silvestres. Observe: trata-se de álbum de 1968, portanto percussor de toda a movimentação "Tropicália" que estava prestes a acontecer. Um disco que com suas harmonias, texturas, bases percussivas e sonoridades cria uma espécie de conjunto místico/religioso que encompassa
organicamente geografias e culturas.

Uma lisergia para os bons ouvidos,


Pedro Santos - Krishnanda ( 1968)

Lado A
01 - Ritual Negro
02 - Água Viva
03 - Um Só
04 - Sem Sombra
05 - Savana Advertência
06 - Quem Sou Eu

Lado B
07 - Flor De Lotus
08 - Dentro Da Selva
09 - Desengano Da Visita
10 - Dual
11 - Aranbindu


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24 de setembro de 2011

Itamar Assumpção - Pretobrás II: Maldito Vírgula (2010)


A música de uma forma geral, e particularmente a música cantada em português, sente muito a falta do poeta, compositor e instrumentista paulistano Itamar Assumpção (1949 - 2003). Das tiradas elegantes, da palavra fácil, sempre incomum. Das melodias saborosas, ao mesmo tempo estranhas, belas e assobiáveis. Da voz e do sotaque característicos, que ele soube utilizar com maestria, lapidando álbum a álbum seu estilo. E, sobretudo, da ironia, das sacadas sobre a vida, a hipocrisia, a burrice, o acaso, a amizade, o amor, e rimas construídas com sagacidade malandra.

O álbum Petrobrás II: Maldito Vírgula é o álbum póstumo que faz parte da compilação Caixa Preta, entitulada, idealizada e parcialmente gravada pelo próprio Itamar. 
A produção do Petrobrás II ficou a encardo de Beto Villares, que guiou de forma coesa a construção de um álbum com contornos bem definidos, arranjos elegantes e aberto a influências musicais mais recentes, tanto na timbragem, quanto no que diz respeito aos gêneros. Além do mais, a presença do artista nas composições e arranjos é forte o bastante para considerarmos um álbum de Itamar Assumpção, complementado pelas influências próprias do produtor. O álbum conta com participação de Arnaldo Antunes, B. Negão, Pupillo, Curumin, Thalma de Freitas, Kiko Dinucci, Marcelo Jeneci, Elza Soares, entre outros. Uma atenção especial para as músicas Samba enredo, O tempo todo e Elza Soares, cheias de intensidade, como o álbum todo.


Tracklist:
1. Maldito vírgula
2. Samba enredo
3. Je t'aime mais que o Jerome
4. O tempo todo
5. Todo esse tempo I
6. Todo esse tempo II
7. Ir pra Berlim
8. Procurei
9. Más línguas
10. Breu da noite
11. Os incomodados que se mudem
12. Agora é que são elas
13. Longe demim
14. Elza Soares

19 de setembro de 2011

Imperial Tiger Orchestra - Mercato (2011)



Imperial Tiger Orchestra é uma banda de Rock Progressivo da Etiópia, que vive em Genebra, na Suíça. Eles são inspirados por aquilo que é conhecido como a Idade de Ouro da música etíope, (1969-1978). A maioria das faixas são canções próprias com características tradicionais da musicalidade daquele período, misturadas com uma boa dose de experimentalismo e improvisação.

Metais, teclados, percussão - muitas vezes com o saxofone ou teclado para substituir os vocais - ao lado dos instrumentos mais tradicionais de guitarra "Phin" tailandesa e percussão kebero etíope dão a orquestra um som impressionante e contagiante. Através de ritmos estrondosos, entre momentos tranquilos e epifanias ritmicas , sons eletrônicos e nirvanas atmosfericas, Mercato explora caminhos múltiplos e nunca perde o groove!


Tracklist:

1. Yedao (4:41)
2. Lale Lale (4:03)
3. Zoma (7:25)
4. Anchi Bale Game (6:28)
5. Yefikir Woha Timu (4:52)
6. Bemgnot Alnorem (3:59)
7. Shinet (3:04)
8. Demamaye (4:31)
9. Tirulegn (feat. Bethelem Dagnachew) (6:00)
10. Djemeregne (Canblaster Tribal mix) (4:20)


 

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